AS ESTRUTURAS ELEMENTARES DO PARENTESCO LEVI STRAUSS PDF

Se por um lado tal proibio tem um carter universal o que pressupe seu carter puramente natural , por outro, elaborado de formas distintas, de acordo com as regras sociais cultural. Nesse sentido Lvi-Strauss aponta para a apreenso da proibio do incesto como regra social. A partir de ento, sua perspectiva analtica corrobora para a desnaturalizao do parentesco, h mito fundado numa concepo biologizante. Como explicao, adiciona questo a regra da exogamia, que, ao ser posta em relao proibio do incesto, evidencia que a primeira, por si s, no garantiria a proibio de cruzamentos entre indivduos com parentesco prximo. A proibio do incesto no se exprime sempre em funo das regras de parentesco, mas na perspectiva de que haja uma dinmica entre indivduos e grupos sociais distintos.

Author:Faesida Voodook
Country:Lithuania
Language:English (Spanish)
Genre:Personal Growth
Published (Last):28 April 2016
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Esse perigo no existe para os membros de outro cl, pq o totem de outrem no sofre nenhum interdito Disso decorreria a dupla regra do casamento interclnico e da proibio do incesto no interior do cl A proibio do incesto, tal como a concebemos atualmente, seria portanto um vestigio Fora da interpretao: organiza em um s e mesmo sistema fenomenos mto diferentes entre si, que, tomados em si mesmos, parecem dificilmente inteligveis Fraqueza: conexes entre os fenmenos so frgeis e arbitrrias As interpretaes sociolgicas apresentam um vcio comum e fundamental.

Procuram fundar um fenmeno universal sobre uma sequncia historica cujo desenrolar no de modo algum inconcebvel em caso particular, mas cujos episdios so to contingentes que se deve excluir inteiramente que tenha podido se repetir sem alterao em todas as sociedades humanas Embora se possa haver nascimento de instituies por transformaes de carter arbitrrio, os processos desse tipo conduzem a instituies mto diferentes cf a sociedade.

Qdo instituies anlogas nascem independentemente fenmeno de convergncia , as sequencias histricas que prepararam seu aparecimento so tb mto diferentes Se encontramos resultados sempre identicos procedentes de uma sucesso de acontecimentos imutavelmente repetidos, podemos concluir que esses acontecimentos no so a razao de ser do fenmeno, mas a manifestao da existencia de uma lei Mais: se a proibio vestigial temos um problema - ou as observaes que temos do fenmeno no correspondem totalidade da instituio, tornando difcil compreender sua universalidade e vitalidade; ou a probio adquiriu funes novas e diferentes na sociedade moderna Se for o segundo caso, como saber se a origem da instituio nao se encontra justamente nessas funes e no em um esquema historico vago e hipottico?

O problema no consiste em procurar que configuraes histricas explicam as modalidades da instituio em determinada sociedade, mas em procurar que causas profundas e onipresentes fazem ccom que, em todas as sociedades e em todas as pocas, exista uma regulamentao das relaes entre os sexos.

Diante dos problemas dessas interpretaes, resta aberto um nico caminho: a passagem de uma anlise esttica sntese dinmica. A proibio do incesto no nem puramente de origem cultural nem puramente de origem natural, e tambm no uma dosagem de elementos variados tomados de emprstimo parcialmente natureza e parcialmente cultura.

Constitui o passo fundamental graas ao qual, pelo qual, mas sobretudo no qual se realiza a passagem da natureza cultura. Em certo sentido pertence natureza, porque uma condio geral da cultura, e por conseguinte no devemos nos espantar em v-la conservar da natureza seu carter formal, ie, a universalidade. Mas em outro sentido tambm j a cultura, agindo e impondo sua regra no interior de fenmenos que no dependem primeiramente dela.

A proibio do incesto consiste justamente o vnculo que une a existncia natural existncia social do homem. Essa unio, porm, no nem estatica nem arbitrria, transformando a situao total. No se trata de unio, mas de transformao, passagem. O fenmeno da hereditariedade exprime esta permanncia e continuidade Na cultura, o indivduo recebe sempre mais do que d, e ao mesmo tempo d mais do que recebe. Esse duplo desequilbrio exprime-se nos processos inversos e opostos ao anterior: educao e inveno Apenas os fenmenos culturais teriam o privilgio da sntese dinmica.

Desse ponto de vista, o problema da passagem da antureza cultura reduz-se, portanto, ao problema da introduao de processos de acumulap no interior de processos de repetiao A cultura no indiferente aos ritmos de receber e dar da natureza Diante do primeiro periodo, o do recebimento, expresso pelo parentes biolgico, a cultura impotente, pois a hereditariedade de uma criana est integralmente inscrita no interior dos genes veiculados pelos pais.

A ao momentanea do meio pode acrescentar sua marca, mas nao poderia fixa-la independnetemente das transformaoes desse mesmo meio. Consideremos agora a aliana. S exigido o fato da aliana, no sua determinao A natureza atribui a cada indivduo determinantes veicullados por seus pais efetivos, mas nao decide em nada quais serao esses pais. A hereditariedade, portanto, considerada do ponto de vista da natureza, duplamente necessaria, primeiramente como lei - no h gerao espontnea - em seguida como especificao da lei, porque a natureza no diz somente que precisto ter pais, mas tambm que tu sers semelhante a eles.

No que se refere aliana, porm, a natureza contenta-se em afirmar a lei, sendo indiferente ao conteudo dela. Se a relao entre pais e filhos rigorosamnete determinada pela natureza dos primeiros, a relao entre macho e fmea so determinada pelo acaso e pela probabilidade H portanto na natureza - deixando de lado as mutaes - um princpio de indeterminao, e um s, sendo no carter arbitrrio da aliana que se manifesta.

Admitindo que a natureza seja historicamente anterior cultura, somente graas s possibilidades deixadas abertas pela primeira que a segunda pde, sem descontinuidade, inserir sua marca e introduzir suas exigncias proprias. A cultura tem de inclinar-se diante da fatalidade da herana biolgica. Somente no fenmeno da aliana, sobre o qual a natureza no disse tudo, a cultura pode afirmar seu domnio a aliana que fornece a dobradia, ou mais exatamente o corte, onde a dobradia pode fixar-se A natureza impe a aliana sem determin-la, e a cultura s a recebe para definir-lhe imediatamente as modalidades.

Assim se resolve a aparente contradio entre o carter de regra da proibio e sua universalidade A universalidade exprime somente o fato da cultura ter sempre e em toda a parte preenchido esta forma vazia.

Contentemo-nos por ora com esta verificao, que a preencheu com o conteudo que a Regra, substncia ao mesmo tempo permanente e geral da cultura, sem levantar ainda a questo de saber por que esta regra aparesenta o carter geral de proibir certos graus de parentesco, e por que este carter geral aparece to curiosamente diversificado O fato da regra, considerado de maneira inteiramente independente de suas modalidades, constitui a prpria essncia da proibio do incesto O papel primordial da cultura est em garantir a existncia do grupo como grupo, e portanto em substituir, neste domnio como em todos os outros, a organizao ao acaso A proibio do incesto uma certa forma de interveno, mas antes de tudo a Interveno A interveno coletiva uma questo levantada e resolvida afirmativamente todas as vezes que o grupo se defronta com a insuficiencia ou a distribuio aleatria de um valor cujo uso apresenta fundamental importncia.

Monogamia no uma instituio positiva, mas somente o limite da poligamia em sociedades em que a concorrencia economica e social atinge forma aguda Mesmo nessas sociedades, alis, a monogamia no constitui regra geral - poligamia como privilgio de chefes e feiticeiros Isso j basta para subverter o equilbrio natural dos sexos Mas mesmo em uma sociedade que aplicasse a monogamia de maneira rigorosa, a tendncia polgama profunda, cuja existncia pode ser admitida em todos os homens, faz aparecer sempre insuficiente o nmero de mulheres disponveis Alm disso, nem todas so igualmente desejveis Dessa forma, a demanda de mulheres, atual ou virtualmente, est sempre em um estado de desequilbrio e de tenso As implicaes sexuais disso so secundrias na sociedade primitiva - h mltiplos meios para resolver este aspecto do problema Mas na maioria das sociedades primitivas, o casamento apresenta uma importncia diferente - no ertica, mas econmica.

Diviso do trabalho entre os sexos - diferentes especializaes tcnicas nao exagerado dizer que nessas sociedades o casamento apresenta uma importncia vital para cada indivduo. Porque cada indivduo est duplamente interessado no somente em enocntrar para si um cnjuge, mas tb em prevenir a ocorrncia, em seu grupo, dessas duas calamidades da sociedade primitiva, a saber, o solteiro e o rfo Que aconteceria, se o princpio da interveno coletiva, afirmado do ponto de vista puramente formal pela regra que probe o incesto no existisse?

Seria possvel esperar que se formassem privilgios no interior dessa aglomerao natural constituda pela famlia Postulamos apenas que no interior do grupo, e sem levantar a questao da precednCia histrica de um com relao ao outro, a viscosidade especfica da aglomerao familiar agiria nessa direo, e que os resultados de conjunto verificariam esta ao.

Ora, tal eventualidade - segundo mostramos incompatvel com as exigncias vitais da sociedade primitiva, e mesmo da sociedade pura e simplesmente. O aspecto positivo da interdio consiste em dar incio a um comeo de organizao Sobre os Nhambiquara - chefe com privilgio da poligamia desequilibra o sistema.

Isso, porm, traz outros ganhos - permite que o chefe cumpra suas funes polticas. Para LS a origem e o signifcado do privilgio esto na troca pelo grupo dos elementos de segurana individual monogamia pela segurana coletiva organizao poltica A poligamia no contradiz, portanto, a exigncia da distribuio equitativa das mulheres, mas apenas superpe uma regra de distribuiao a outra. Monogamia e poligamia correspondem a tipos de relaes compllementares - de um lado, o sistema de auxlios prestados de auxlios recebidos que liga entre si os membros individuais do grupo; do outro, o sistema de auxlios dados e recebidos que liga entre eles o conjunto do grupo e seu chefe Na proibio do incesto so consideramos o aspecto mais somrio, o da regra enquanto regra.

Considerada por este ngulo, no fornece ainda a soluo do problema, mas estabelece somente uma medida preliminar, a qual a condio das medidas ulteriores Em suma, afirma que no com base em sua distribuio natural que as mulheres devem receber seu uso social. Trata-se de afirmar que a diviso ou competio em torno das mulheres ser feita no grupo e sob o controle do grupo, e no em regime privado.

Trata-se de um aspecto primordial, o nico coextensivo proibio inteira Falta, ento, definir qual essa base Devemos mostrar agora, ao passar do estudo da regra enqto regra ao de seus caracteres mais gerais, a maneira pela qual se realiza a passagem de uma regra de contedo originariamente negativo a um conjunto de estipulaes de outra ordem Como interdio, a proibio do incesto limita-se a afirmar a preeminncia do social sobre o natural.

Mas a regra apaarentemente negativa tambm engendra sua inversa - toda proibio , ao mesmo tempo, e sob outra relao, uma prescrio As regras do casamento proibem um crculo de parentesco. Devemos distinguir dois casos: A Endogamia - obrigao de casar-se no interior de um grupo definido objetivamente B Unio preferencial - obrigao de escolher para cnjuge quem tem com o indivduo uma relao de parentesco determinada Distino difcil nos sistemas classificatrios de parentesco - pois todos os indivduos apresentam entre si uma relao de parentesco definida passam a ser constitudos em uma classe, transitando entre as duas categorias sem mudana acentuada Todo sistema de casamento entre primos cruzados poderia ser interpretado como um sistema endgamo, se todos os indivduos, primos paralelos entre si, fossem designados por um mesmo termo e os primos cruzados entre si por um termo diferente.

Assim, um sistema exgamo por excelncia daria lugar a um novo sistema, que apresentaria todas as aparncias da endogamia. Convm, portanto, distinguir dois tipos diferentes de endogamia - um que apenas o inverso de uma regra de exogamia e s se aplica em funo desta; e a endogamia verdadeira, que no um aspecto da exogamia, mas se encontra sempre dada conjuntamente com esta embora no na mesma relao, e simplesmente conexo.

Sob esse ltimo ponto de vista, toda sociedade ao mesmo tempo exgama e endgama. Assim, os australianos so exgamos quanto ao cl, mas endgamos no que se refere tribo A endogamia e a exogamia no so aqui instituies complementares, sendo simtricas apenas do ponto de vista formal. A endogamia verdadeira somente a recusa de reconhecer a possibilidade do casamento fora dos limites da comunidade humana, estando esta ltima sujeita a definies muito diversas, segundo a filosofia do grupo considerado De maneira geral, a endogamia "verdadeira" manifesta simplesmente a excluso do casamento praticado fora dos limites da cultura, cujo conceito est sujeito a toda espcie de contraes e dilataes.

A frmula, positiva na aparncia, da obrigao de casarse no interior de um grupo definido por certos caracteres concretos nome, lingua, raa, religio, etc. Os primos cruzadOS so menOs parentes que devem casar-se entre si do que os primeiros, no grupo dos parentes, entre os quais o casamento possvel, desde o momento em que os primos paralelos so classificados como irmos e Irms.

Este carter essencial foi freqentemente ignorado, uma vez que o casamento entre primos cruzados era, em certos casos, no somente autorizado mas obrigatrio. A categoria dos cnjuges possiveis em um sistema de unio preferencial nunca fechada.

Tudo quanto no proibido permitido, A diferena entre as duas formas de endogamia particularmente fcil de fazer quando se estudam as regras matrimoniais de sociedades fortemente hierarquizadas.

A endogamia "verdadeira" tanto mais acentuada quanto mais elevado o nvel ocupado pela classe social que a pratica. Distinguimos deste modo uma endogamia "verdadeira", que uma endogamia de classe no sentido lgico, mas ao mesmo tempo, em numerosas sociedades que a praticam, no sentido social do termo classe , e uma endogamia funcional, que se pode chamar endogamia de relao. Esta apenas a contraposio da exogamia.

Sob forma positiva exprime o carter aparentemente negativo desta ltima. Limitamo-nos aqui a esta rpida descrio, que basta para mostrar, em um caso definido, que categorias exgamas e categorias endgamas no constituem entidades independentes e dotadas de existncia objetiva.

Devem ser consideradas mais como pontos de vista, ou perspectivas diferentes, mas solidrias, de um sistema de relaes fundamentais, no qual cada termo definido por sua posio no interior do sistema. Como dito no comeo do captulo, a endogamia complementar est a para lembrar que o aspecto negativo apenas o aspecto superficial da proibio A proibio do uso sexual da filha ou da irm obriga a dar em casamento a filha ou a irm a um outro homem e, ao mesmo tempo,cria um direito sobre a filha ou a irm desse outro homem.

Assim, todas as estipulaes negativas da proibio tm uma compensao positiva. A proibio equivale a uma obrigao, e a renncia abre caminho a uma reivindicao Isso somente verdade para a forma de endogamia que chamamos funcional, e que apenas a prpria exogamia considerada em suas consequncias A proibio do incesto no apenas uma interdio. Ao mesmo tempo que probe, ordena. A proibio do incesto, como a exogamia que sua expressao social ampliada, constitui uma regra de reciprocidade.

O contedo da proibio no se esgota no fato da proibio. Esta s instaurada para garantir e fundar direta ou indiretamente, imediata ou mediatamente, uma troca. Como e por que, o que J se torna preciso agora mostrar. O lucro esperado no nem direto nem inerente s coisas trocadas, como so o lucro de dinheiro ou o valor de consumo. Ou melhor, no tal de acordo com nossas prprias convenes.

H tambem retribuio de presentes, assim como de convites tb distribuies liberais de alimentos e bebidas Estamos, portanto, tambm aqui em pleno dominio da reciprocidade. Tudo se passa, em nossa sociedade, como se certos bens, de valor de consumo no essencial fossem considerados como devendo convenientemente ser adquiridos em forma de dons recprocos e no em forma de troca ou de consumo individual -ritual do natal como exemplo de reciprocidade e potlach o jogo que fornece, na sociedade moderna, a imgagem mais caracterstica dessas transferncias de riquezas, com o fim exclusivo de adquirir prestigio Durante os ltimos cem anos, o jogo tomou um desenvolvimento excepcional todas as vezes que os meios de pagamento excederam consideravelmente as disponibilidades locais de bens - ex.

Entre esses dois extremos encontra-se uma espcie de zona de indiferena e de liberdade Os requintes da diviso ou da distribuo aparecem com a urgncia ou a ausncia da necessidade Mas ainda aqui estamos em presena de um modelo geral - seguem diversos exemplos mostrando que se trata de um fato social total, que ultrapassa as questes economicas Os primitivos s conhecem dois meios de classificar os grupos estranhos: ou so bons" ou so "maus". Mas a traduo ingnua dos termos in dgenas no nos deve iludir.

Um grupo "bom" aquele ao qual, sem discutir, concede-se hospitalidade, aquele para o qual nos despojamos dos bens mais preciosos, ao passo que o grupo "mau" aquele do qual se espera e ao qual se promete, na primeira ocasio, o sofrimento ou a morte. Com um luta-se, com o outro troca-se. A troca, fenmeno total, primeiramente uma troca total, compreendendo o alimento, os objetos fabricados e esta categoria de bens mais preciosos, as mulheres.

A proibio do incesto e a repugnncia de um campones em beber seu prprio frasco de vinho constituem fenmenos do mesmo tipo, elementos de um mesmo complexo cultural, ou mais exatamente, do complexo fundamental da cultura LS levanta possiveis criticas prpria tese Deriva uma regra da exceo dom como exceo na sociedade moderna, mero vestgio Aspecto positivo da reciprocidade falta na proibio do incesto como praticada em nossa sociedade.

Essa interpretao s poderia ser vlida para os sistemas exogmicos e, particularmente, as organizaes dualistas explicar-se de duas maneiras: ou o costume e a crena constituem um vestgio sem outra significao a no ser a de um resduo histrico poupado pelo acaso, ou por motivo de causas extrnsecas; ou ento sobreviveu porque continua, ao longo dos sculos, a desempenhar um papel, e este no difere essencialmente daquele pelo qual possvel explicar seu aparecimento inicial.

Uma instituio pode ser arcaica porque perdeu a razo de ser, ou, ao contrrio, porque esta razo de ser to fundamentaI que a transformao de seus meios de ao nem foi possvel nem necessria. Tal o caso da troca. Enqto com relao s mercadorias, o papel da troca diminuiu progressivamente, no referente s mulheres conservou sua funo fundamental - pq as mulheres constituem o bem por excelncia e por nao serem primeiramente um sinal de valor social, mas um estimulante natural A sobrevivncia de um costume ou de uma crena pode, com efeito, A troca pOde no ser - diferentemente da exogamia - nem explcita nem Imediata.

Mas o fato de que posso obter uma mulher em ltima anlise conseqncia do fato de um irmo ou um pai terem renunciado a ela. Apenas, a regra no diz em proveito de quem feita a renncia.

A nica diferena consiste portanto em que na exogamia exprimese a crena de que preciso definir as classes para que se possa estabelecer uma relao entre as classes, enquanto na proibio do incesto basta a relao unicamente para definir, em cada instante da vida social, uma multiplicidade complexa e continuamente renovada de termos direta ou indiretamente solidrios Seguem diversos exemplos que relacionam as instituies de casamento e de troca Nhambkwara - ao mesmo tempo medo e desejo do contato com outros bandos Existe um vnculo, uma continuidade entre as relaoes hostis e a prestao de servios reciprocos.

E a troca das noitvas apenas o termo de um processo ininterrupto de dons reciprocos, que realiza a passagem da hostilidade aliana, da angstia confiana, do medo amizade Interesses relacionados.

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